quinta-feira, 31 de março de 2011

Conversa d'homens

Sobre como tudo isto funciona

Para ler, novamente, a crónica de Daniel Oliveira no Expresso Online.
Aqui ficam alguns excertos:

"A agência Fitch, uma das que andou a avaliar positivamente lixo e a descobrir pelos jornais a falência de empresas e de países, ameaça baixar de novo o ratig da dívida portuguesa se Portugal não recorrer à ajuda externa.
...
Se assim fosse, não havia avisos.(...) O que a Fitch fez, e não é o primeiro caso, foi dar um conselho a Portugal. Sendo que Portugal não é seu cliente. E nesse conselho está implícita a ameaça: ou fazem o que os nossos clientes querem ou nós dizemos aos mercados que vocês não vão conseguir pagar, aumentando assim as vossas dificuldades de financiamento e, obviamente, a dificuldade em pagar. (...)Foi uma intervenção direta no mercado para determinar as políticas de um Estado. Foi lobby em favor dos seus clientes, usando o instrumento que tem para determinar decisões políticas. (...)"


quinta-feira, 24 de março de 2011

Porque nunca se fará nada deste país


O PSD, o partido responsável pela aplicação do actual modelo de avaliação, o PSD que tem até agora inviabilizado a sua suspensão (PP, PCP e BE estão desde o início, não necessariamente pelos motivos mais nobres, contra o modelo) prepara-se agora, a cheirar o poder, à procura do voto fácil, para o suspender. 


E é quando se vê num Parlamento partidos de esquerda (BE e PCP) votar ao lado de partidos de direita (actual PSD e o PP), todos contentes por mostrar quem lá manda agora, que se sabe, com triste certeza, que nenhuma reforma realmente necessária, realmente inovadora, realmente justa (seja o caso ou não) conseguirá alguma vez ser levada avante neste país. 

Sobre a diferença


Era para isto? (7)

"Os impostos indirectos tratam todos pela mesma medida, tanto pobres como ricos, razão porque são, nesse aspecto, mais injustos. É essa, aliás, a razão porque eu nunca concordei em taxar cada vez mais os impostos indirectos, nomeadamente o IVA. Ele vale 20% para quem tem muito como para quem tem pouco".

Pedro Passos Coelho, no livro "Mudar", editado em 2010.

"Se ainda vier a ser necessário algum ajustamento, a minha garantia é de que seria canalizado para os impostos sobre o consumo, e não para impostos sobre o rendimento das pessoas".

Pedro Passos Coelho, hoje, em Bruxelas.

Inovámos, de facto, já não é preciso ser eleito para faltar às promessas.

Do famoso Inglês Técnico

O indispensável empenhamento

«A propósito da tragédia no Japão, o que mais impressiona é o comportamento dos japoneses. "Uma lição de dignidade numa desgraça imensa", escrevia em título de editorial o diário francês Le Monde. E de facto é isso: uma formidável dosagem de sangue frio, coragem, disciplina e civismo. Traços de carácter que se traduzem numa evidente coesão social. E que, nalguns casos, tanta falta fazem à sociedade portuguesa...
Vistos com os olhos de quem vive há mais de quatro decénios no estrangeiro, os portugueses têm de facto uma estranha concepção da vida em sociedade. Da maneira como concebem o seu estatuto pessoal. Como consideram a inserção que deve ser a sua no espaço público. De como avaliam o comportamento dos outros. Da apreciação que fazem dos que ocupam posições dirigentes, nomeadamente na vida política.
Parafraseando um autor espanhol de fins do século XIX, poder-se-ia dizer: o sonho de qualquer português é ser portador de um salvo-conduto onde figure uma cláusula límpida e imperativa: fica autorizado a fazer tudo o que lhe der na real gana! Porque o que impressiona de facto é que quase todo e qualquer português ache que, ele, tem todos os direitos. Mas, é claro, que não tem deveres absolutamente nenhuns. Nem em relação aos outros, no relacionamento social com desconhecidos. E muito menos em relação ao Estado democrático em que vive.
Daí que, nas conversas em lugares públicos, se vejam um sem número de personagens mais ou menos exibicionistas erigir-se em tribunos de trazer-por-casa e dizer todo o mal que pensam dos outros. Do Estado português. Da democracia portuguesa. Dos políticos portugueses. E, é claro, de toda esta "corja de gatunos" e demais "vigaristas" que por aí andam e que fazem que a sociedade portuguesa seja o que é. "O inferno são os outros", dizia Sartre. Quando os responsáveis pelo "estado da nação" são os portugueses, individual ou colectivamente. Que, na sua grande maioria, não têm consciência nenhuma do que é um horário e um calendário. Que, em actividade profissional, não hesitam em ocupar-se de assuntos puramente privados. Que se comprazem num consumismo frenético e na ostentação de sinais de distinção social, de preferência dispendiosos. Que recusam compreender que não se pode consumir mais do que se produz sem que o país caia na dependência do estrangeiro. E que, querer construir uma sociedade de progresso e justiça, supõe um empenhamento cívico e um esforço colectivo de cada instante...» 



Crónica de Nobre Correia, Professor na Université Libre de Bruxelles, publicada no Diário de Coimbra de 24 de Março

Maria, consegui!

O site da Presidência anunciou a demissão de José Sócrates antes da comunicação do PM ao país.