...O Departamento do Jogador Chinês!
sexta-feira, 25 de março de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Porque nunca se fará nada deste país
O PSD, o partido responsável pela aplicação do actual modelo de avaliação, o PSD que tem até agora inviabilizado a sua suspensão (PP, PCP e BE estão desde o início, não necessariamente pelos motivos mais nobres, contra o modelo) prepara-se agora, a cheirar o poder, à procura do voto fácil, para o suspender.
E é quando se vê num Parlamento partidos de esquerda (BE e PCP) votar ao lado de partidos de direita (actual PSD e o PP), todos contentes por mostrar quem lá manda agora, que se sabe, com triste certeza, que nenhuma reforma realmente necessária, realmente inovadora, realmente justa (seja o caso ou não) conseguirá alguma vez ser levada avante neste país.
Era para isto? (7)
"Os impostos indirectos tratam todos pela mesma medida, tanto pobres como ricos, razão porque são, nesse aspecto, mais injustos. É essa, aliás, a razão porque eu nunca concordei em taxar cada vez mais os impostos indirectos, nomeadamente o IVA. Ele vale 20% para quem tem muito como para quem tem pouco".
Pedro Passos Coelho, no livro "Mudar", editado em 2010.
"Se ainda vier a ser necessário algum ajustamento, a minha garantia é de que seria canalizado para os impostos sobre o consumo, e não para impostos sobre o rendimento das pessoas".
Pedro Passos Coelho, hoje, em Bruxelas.
Inovámos, de facto, já não é preciso ser eleito para faltar às promessas.
Pedro Passos Coelho, no livro "Mudar", editado em 2010.
"Se ainda vier a ser necessário algum ajustamento, a minha garantia é de que seria canalizado para os impostos sobre o consumo, e não para impostos sobre o rendimento das pessoas".
Pedro Passos Coelho, hoje, em Bruxelas.
Inovámos, de facto, já não é preciso ser eleito para faltar às promessas.
O indispensável empenhamento
«A propósito da tragédia no Japão, o que mais impressiona é o comportamento dos japoneses. "Uma lição de dignidade numa desgraça imensa", escrevia em título de editorial o diário francês Le Monde. E de facto é isso: uma formidável dosagem de sangue frio, coragem, disciplina e civismo. Traços de carácter que se traduzem numa evidente coesão social. E que, nalguns casos, tanta falta fazem à sociedade portuguesa...
Vistos com os olhos de quem vive há mais de quatro decénios no estrangeiro, os portugueses têm de facto uma estranha concepção da vida em sociedade. Da maneira como concebem o seu estatuto pessoal. Como consideram a inserção que deve ser a sua no espaço público. De como avaliam o comportamento dos outros. Da apreciação que fazem dos que ocupam posições dirigentes, nomeadamente na vida política.
Parafraseando um autor espanhol de fins do século XIX, poder-se-ia dizer: o sonho de qualquer português é ser portador de um salvo-conduto onde figure uma cláusula límpida e imperativa: fica autorizado a fazer tudo o que lhe der na real gana! Porque o que impressiona de facto é que quase todo e qualquer português ache que, ele, tem todos os direitos. Mas, é claro, que não tem deveres absolutamente nenhuns. Nem em relação aos outros, no relacionamento social com desconhecidos. E muito menos em relação ao Estado democrático em que vive.
Daí que, nas conversas em lugares públicos, se vejam um sem número de personagens mais ou menos exibicionistas erigir-se em tribunos de trazer-por-casa e dizer todo o mal que pensam dos outros. Do Estado português. Da democracia portuguesa. Dos políticos portugueses. E, é claro, de toda esta "corja de gatunos" e demais "vigaristas" que por aí andam e que fazem que a sociedade portuguesa seja o que é. "O inferno são os outros", dizia Sartre. Quando os responsáveis pelo "estado da nação" são os portugueses, individual ou colectivamente. Que, na sua grande maioria, não têm consciência nenhuma do que é um horário e um calendário. Que, em actividade profissional, não hesitam em ocupar-se de assuntos puramente privados. Que se comprazem num consumismo frenético e na ostentação de sinais de distinção social, de preferência dispendiosos. Que recusam compreender que não se pode consumir mais do que se produz sem que o país caia na dependência do estrangeiro. E que, querer construir uma sociedade de progresso e justiça, supõe um empenhamento cívico e um esforço colectivo de cada instante...»
Crónica de Nobre Correia, Professor na Université Libre de Bruxelles, publicada no Diário de Coimbra de 24 de Março
Maria, consegui!
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Era para isto? (6)
"Se, como disse Ferreira Leite, as mesmas medidas seriam boas se aplicadas por outro protagonista, a opção que tinha era a que foi aceite na Irlanda: aprovava o PEC na condição do governo se demitir. A palavra seria devolvida aos portugueses sem que a crise política afectasse as negociações com a Europa. Sócrates não poderia confundir a sua desgraça com a desgraça do País, Passos poderia mostrar que quer chegar ao poder sem ser à custa de meses de indefinição.
Não houve uma coligação negativa. Houve três partidos que se têm oposto aos PEC's e coerentemente se recusaram a colocar a sua assinatura num pacote de medidas que consideram inaceitável. E houve um partido que aceita, na prática, estas medidas, mas quer ser ele a aplicá-las. E que para isso abriu uma crise política.
Não vale a pena, no dia seguinte às eleições, recomeçar a ladainha contra os "malandros dos políticos". Somos nós, e só nós, que os escolhemos."
Excertos da crónica de Daniel Oliveira publicada no Expresso Online.
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Era para isto? (5)
Lisboa, 24 mar (Lusa) -- A Fitch cortou hoje o 'rating' de Portugal em dois níveis, de A+ para A-, devido às dificuldades na implementação de medidas e de financiamento após o chumbo do PEC no Parlamento e da demissão do primeiro-ministro.
Sabemos bem que muito da crise foi e é provocada pelas agências de rating, com ligações estreitas a grupos especulativos, aos mercados gananciosos e a interesses particulares. Duvido até que muita gente responsável por fazer e avaliar esses ratings saiba até onde fica Portugal, algures ali pela América do Sul, talvez, mas sabemos também, concordemos ou não, que estamos dependentes delas para obter o nosso financiamento.
Sei que para Cavaco Silva as devemos tratar com falinhas mansas, festinhas na cabeça e masturbá-las diariamente com muito amor e carinho, um bocadinho de pó-de-talco e vaselina para não arranhar. Pois bem, para mim não, mas incontestavelmente temos que as ir mantendo satisfeitas - pelo menos por enquanto e até a UE criar a sua própria agência de rating - e agradar-lhes, não acrítica nem vassalamente, mas agradar-lhes.
E de descida em descida, de palhaço em palhaço, os juros vão subindo e subindo, à mesma velocidade de líderes de assembleias regionais e velhos dinossauros ociosos.
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