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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Drama do Casal Mccann...e melhor que Frei Luís de Sousa


O Quezílias Libertinas está em condições de avançar, em primeira mão, O DRAMA DA FAMÍLIA MCCANN... e tudo por causa de um jornal!

Gerry sai de casa, de manhã, como habitualmente faz, para comprar o 24 Horas.
Gerry fica assolado ao ver a capa. Vai para a casa e confronta a mulher:

-Damn Kate! I told you you should have cried. They're suffering more than us now!
...
Gerry está incontrolável, adivinha-se o pior!
Gerry, para alcamar, põe a tocar a música da Ágata...
..."Podes ficar com a casa, o carro e as jóias mas não fiques com ela..." (apontando para os restos mortais de Maddie).

Kate fica deprimida e, devastada, sai de casa para ir ao ginásio com os gémeos.
Gerry vai trabalhar.

Conseguirá o casal reconciliar-se?
Sim, Barra da Costa tem informações de que o casal irá, à noite, a casa dos vizinhos, praticar swing.

O casamento está salvo!

by: Mick

sábado, 12 de janeiro de 2008

Auto-ajuda

Leio sempre com interesse a rubrica de Clara Pinto Correia na revista do 24 horas de Sábado (provavelmente a única parte da revista que interessa). Esta semana fala-nos daquelas americanices dos livros de auto-ajuda que prometem milagres mas que só funcionam para quem os escreve.
Passo a expor na íntegra o que a Clara escreveu:

Segredos Duvidosos

«Quando nos passam para a mão um livro que, antes de mais nada, tem uma bruta cinta vermelha a toda a volta que diz "245.000 exemplares, O Livro Mais Vendido do Ano", só por si o aviso basta para sabermos que dali não pode vir nada de bom. Toda a gente tem a noção de como o conceito de livro, e até mesmo de escrita, caiu a pique pela rampa dos best-sellers ao longo da última década. Mesmo assim, isto nunca deixa de ser espantoso: uma situação extremamente degradada pode ainda degradar-se mais. Por muito preparada para a mediocridade que eu estivesse, por muito que tenha em mente que aquilo foi concebido como um produto de supermercado e não como um livro, por muito que eu pense que estas coisas já não me impressionam-eh pá, francamente. Eu não estava preparada para aquele logrom aquele veneno para a nossa configuração cerebral, aquele atentado brutal à inteligência que é essa coisa que anda para aí com o nome de "O Segredo". Mesmo as ciganas do Parque Eduardo VII fazem melhor e mais depressa.

São 206 páginas verdadeiramente degradantes. Até a nota introdutória da badana parece o paleio da senhora que está na Praça da Figueira a vender amuletos mágicos: "Foram encontrados fragmentos do Grande Segredo em culturas de tradição oral, na literatura e em diferentes religiões e filosofias ao longo dos séculos...Com este livro, aprenderá a usar O Segredo em todas as áreas da sua vida - finanças, saúde, relações. Começará a perceber o poder invisível que há em si, e essa revelação poderá trazer alegria a todos os aspectos da sua existência." [Amén]*

Bem. E a forma despudorada como a autora insiste, página sim, página não, que quem conhecer O Segredo fica rico? Sem qualquer espécie de vergonha, esta confecção deixa tudo a cintilar. É para encontrar o príncipe encantado, é para subir na hierarquia da empresa, é até para chegar à caixa do correio e encontrar lá dentro uma pipa de massa. Também faz bem à pele, cura o cancro, derrota a sida, e quase de certeza que limpa os calos e suaviza os joanetes. O testemunho científico destas verdades é debitado por uns grandes mestres de quem nunca ouviu falar - quase todos americanos, vá lá a gentesaber porquê. E o rol de todos os grandes pensadores que sempre estiveram a par de O Segredo? Fabuloso: Platão, Shakespeare, Newton, Victor Hugo, Beethoven, Lincoln, Emerson, Edison, Einstein. Este Segredo é só para homens, ao que parece. E, tirando o Platão que fica lá muito a montante na corrente, os outros são todos anglo-saxónicos. Desculpem: não se arranja uma ONG simpática para difundir O Segredo em Timor, no Médio Oriente, sei lá, em todo o continente africano? Todo o planeta dava as mãos, e passava-lhe por cima uma grande revoada de pombas brancas.  

Sempre gostava de saber o que é que entretanto aconteceu àqueles duzentos mil otários que morderam o isco em Portugal. A esta hora, já devem estar todos nas nuvens.»

* [Amén] não se encontra no texto transcrito. Foi adicionado por mim.





by: Mick